Foto: Romulo dos Santos
Foto: Romulo dos Santos

Expulso da escola aos 10 anos por dublar Whitney Houston, Marco Antonio Fera retorna ao local no clipe “Prete Bixa”

Videoclipe reúne gerações em um manifesto de pertencimento, liberdade e celebração da negritude queer

“Prete Bixa” é o novo single de Marco Antonio Fera, com lançamento em 20 de novembro. A faixa nasce como continuidade do álbum Corpo Desobediente (2023), mas aponta para novos caminhos estéticos e políticos na carreira do artista. Pela primeira vez, Fera mergulha no afrobeat, influenciado por Fela Kuti, misturando o gênero com ritmos afro-brasileiros como o funk e o maculelê.

A música nasce de uma lembrança dura: aos 10 anos, Fera foi expulso da escola após dublar Whitney Houston em uma apresentação improvisada para colegas. “Eu era só uma criança tentando existir e me expressar. Fui punido pela escola e carreguei esse trauma por muitos anos”, relembra.

Três décadas depois, o artista voltou ao mesmo colégio para gravar o videoclipe de “Prete Bixa”, agora acompanhado de uma coletividade de pretas bichas. “Voltar a esse espaço e ocupar a mesma sala de aula foi histórico. Transformamos dor em arte, silêncio em celebração”, diz.

Dirigido pelo cineasta carioca Macario, o clipe conecta a força do afrobeat à estética da cultura ballroom e vogue. “O que se vê é a diáspora preta e bixa em movimento, o encontro de gerações, os corpos que afirmam sua existência e transformam dor em celebração”, resume o artista. A participação de Diva Green, referência na estética das cabeças negras, reforça a atmosfera de ancestralidade e resistência coletiva.

Mais do que uma canção, “Prete Bixa” é manifesto. “É música para dançar e pensar ao mesmo tempo. É política, é afeto e é festa”, afirma Fera.

SOBRE O ARTISTA

Marco Antonio Fera é cantor, compositor e performer que tem construído uma obra marcada pela fusão entre música, política e afeto. Nascido em Sorocaba (SP), o artista parte de experiências pessoais para criar narrativas universais sobre amor, liberdade e pertencimento. Seu trabalho dialoga com referências da música afro-brasileira, do funk, do samba e, mais recentemente, do afrobeat, sempre atravessado pela afirmação de corpos negros e dissidentes.

Com o álbum Corpo Desobediente (2023), Fera consolidou-se como uma das vozes mais potentes da cena independente brasileira. No disco, transformou vivências afetivas e políticas em canções que celebram o amor em suas múltiplas formas, criando contranarrativas à violência e à marginalização. O clipe “Três Meninos”, dirigido por May Mascarenhas, ganhou destaque ao retratar possibilidades de relações além das normas binárias, reforçando seu compromisso com uma arte libertária e afirmativa.

Agora, com “Prete Bixa”, Fera inaugura uma nova fase: mergulha no afrobeat, traz a dança para o centro da performance e ressignifica traumas da infância ao transformá-los em arte coletiva. Gravado na escola de onde foi expulso aos 10 anos, o videoclipe é manifesto de resistência e celebração, reafirmando o artista como criador de imagens e sons que projetam novas perspectivas para a negritude queer no Brasil.

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